1
setembro

Dica de Leitura: NIETZSCHE O LIVRO DO FILÓSOFO

APRESENTAÇÃO

Apesar de incompleto, com várias passagens simplesmente esboçadas para futura elaboração, O livro do filósofo é uma obra marcante para a história da filosofia e especialmente para o que vem a ser a filosofia em si. As linhas mestras do texto tocam os próprios fundamentos da filosofia, tais como a teoria do conhecimento, a importância central da intenção, a falência da verdade e as chances que o homem ainda possui para se construir.
Este pequeno-grande livro é uma exposição das relações da filosofia com a arte, com a ciência e com a civilização, privilegiando o ser em si, o ser artista, o devir nos valores humanos, porquanto a arte transporta e alimenta a ilusão que ressalta a vida pelo aflorar dos instintos, dos desejos e dos sonhos; contrariamente à ciência (hoje se diria a tecnologia) que escraviza e destrói, aliena e estimula a mentira em detrimento da verdade, supervaloriza o ter e menospreza o ser, além de relegar a filosofia a um plano insignificante.
A denúncia do trabalho mortífero da ciência não pretende eliminar a pesquisa científica da vida do homem, mas submetê-la aos valores da arte de viver e crescer como ser humano. Por isso o filósofo não deve procurar a verdade, mas as transformações do mundo nos homens como decorrência da ciência que corrói a civilização.
Na realidade, Nietzsche julga a ciência, mas não se define por aniquilá-la, mas dirigi-la sem a dominar, invertendo a ordem de dependência que a certeza científica insinua na vida do homem. Ele vê na atividade científica a manifestação de um verdadeiro instinto de conhecimento sem freios e que obedece unicamente à própria vontade.
Compete à filosofia determinar o valor da ciência, procurando concentrar e unificar o instinto desenfreado do saber. Ciência e saber estão, portanto, em conflito na civilização. Enquanto a ciência impele o indivíduo a procurar uma compensação ou seu próprio interesse, o saber ou a sabedoria relaciona seus resultados à vida, ressaltando a importância do espírito, da alma.
O que pode ocorrer com a civilização perante essa visão utilitarista que a leva a descambar no interesse puro e simples, desprovida de valoresde alçada superior, sem aquele ideal que possa significar a civilização plena baseada nos valores do homem-indivíduo, da sociedade-individual, da sociedade em geral como somatória das unidades sociais que a compõem? Nietzsche propõe a reforma do espírito, a busca da verdade e a eliminação da mentira, a visão da arte como forma suprema de restabelecer a velha ordenação social que os gregos haviam alcançado por meio da produção artística, reflexo da vida, do culto e dos mitos, espelho dos instintos e dos sonhos do homem, do saber e da cultura como meios de elevar o ser humano e a sociedade aos patamares da conexão ideal de todos os ramos do conhecimento humano.
Tarefa impossível, poder-se-ia dizer, ante a constatação dos não-valores que parecem guiar a humanidade de hoje, diante dos despropósitos que idéias e religiões procuram inculcar nos homens. Nietzsche, porém, responde: “É no impossível que a humanidade se perpetua.”
Publicado em DICA DE LEITURA por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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