5
setembro

Transformação pela dor

O ser humano tem o sofrimento como o maior professor de vida. Somente passando por vários estágios de dor é que podemos amadurecer e aprender. O diamante para ficar lindo tem que passar pelo doloroso processo de lapidação. O barro, para virar uma linda peça de cerâmica, passa pela dor do fogo transformador, assim também é com o aço e com o vidro e conosco. A cada problema ultrapassado, estamos sendo lapidados, polidos e transformados.

A dor nos exercita, alicerçando nosso íntimo nos deixando cada vez mais fortes para enfrentar a vida.

Para resolvermos um problema, somos obrigados a sair da cômoda posição em que nos encontramos no momento. A dor nos obriga a entrar em movimento para podermos resolvê-la, colocando em prática o exercício da inteligência, pois precisamos pensar, analisar e tentar solucionar o problema que a vida nos apresenta. Com esse movimento vem uma transformação que muitas vezes foi atrasada por nossa comodidade, e que precisou da dor para que ocorresse.

A dor traz a transformação mais profunda.

A dor causada por uma doença, por exemplo, nos mostra como somos frágeis. Nos traz a preciosa lição da humildade, pois na doença precisamos dos outros e qualquer atitude de orgulho precisará ser repensada. Muitos desafetos são esclarecidos quando podemos tomar conta do outro e deixamos o outro tomar conta de nós. Afinal, vivemos juntos em sociedade para que possamos tomar conta uns dos outros, nada mais natural.

A doença também nos traz a paciência e a resignação. Não adianta querermos sarar rápido, devemos aprender a lição do tempo. Toda doença tem seu próprio tempo de cura, independente do nosso querer. A humildade com paciência nos dá a noção de nossos limites. Muitas vezes ficamos doentes porque fomos negligentes com nossa saúde ou não respeitamos nossos limites achando que nunca nada de errado poderia acontecer conosco. A doença traz nossos pés para o chão e mostra que a realidade não é bem assim. Não possuímos controle de tudo, e não podemos brigar com a dor, devemos perceber e aceitar a nossa própria impotência.

O sofrimento pode vir com a morte de alguém querido. Neste momento de dor, repensamos quanto tempo foi perdido com briguinhas inúteis, ressentimentos e mágoas por tanto tempo guardadas. Pra quê? E as palavras que não foram ditas? Quanta coisa poderia ter sido relevada? A dor da perda nos mostra que devemos viver cada momento como se fosse o último e não deixar nada para depois. Resolva, fale, desculpe, desabafe. Nunca deixe um sentimento bom ou ruim guardado por mais de 24 horas.

O egoísmo some quando temos que repartir nossa dor com alguém. Sentimos a necessidade de sermos ouvidos e amparados quando nos sentimos frágeis e vulneráveis pela dor. Por mais forte que nosso aspecto exterior possa ser, existem momentos em nossa vida em que precisamos de colo.

A vida tem períodos difíceis e ninguém escapa disso. Não existe ninguém que não passe pela dor, mas existem maneiras diferentes de passar por ela. Podemos estar com o coração aberto para receber o ensinamento necessário e esta dor transforma-se em uma lição de amor ou podemos continuar lutando contra ela e sofrendo cada vez mais.

Escrito por Maria de Fátima Hiss Olivares 

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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