14
maio

Solidão

Nunca tivemos tanta facilidade de comunicação e ao mesmo tempo tanto isolamento como temos hoje. Se a internet nos permite uma rápida ligação com as pessoas e nos favorece tanto a amplitude nos contatos, por que será que as pessoas se sentem cada vez mais isoladas?

As salas de “bate papo” na internet são exatamente um atrativo para as pessoas solitárias, sempre em busca de alguém com quem se possa gastar tempo, sem comprometer a privacidade de cada um.

Por que esse tipo de contato é tão procurado? É uma maneira de envolver-se parcialmente, de esconder-se.
É uma alternativa de um contato sem compromisso, uma falsa aproximação, onde faço apenas um contato superficial, sem envolvimento real.

São vários os fatores que parecem empurrar uma pessoa em direção aos relacionamentos “internéticos”, indicando que talvez esse comportamento não seja uma escolha, mas sim uma imposição.

* Um dos fatores é o medo. O contato direto tornou-se perigoso. Quem é a pessoa que se aproxima e com que intenção? Como disse uma senhora de alta posição social e financeira: “Não tenho amigos porque sei que as pessoas se aproximam por interesse. Em algum momento sei que vão pedir alguma coisa. Já vi isso inúmeras vezes e sempre pode acontecer de novo.

* Um segundo fator é a competição nos vários setores.
O outro é aquele que compete comigo no trabalho, no curso, na própria família, no sexo. O outro, ou outra pode chamar mais a atenção do que eu. Assim, é preciso manter a distância e a privacidade.

O afastamento um dos outros, na verdade foi um processo bem lento. Nas cidades do interior, por exemplo, antes da TV, as pessoas levavam as cadeiras para as calçadas à noite, e ali ficavam conversando com os que passavam. Com o surgimento da TV, as pessoas começaram a se recolher, absortas com as programações, e automaticamente mergulhando nesse afastamento sem perceberem.

Outro ponto é decorrente também da competição que se estabeleceu: a necessidade da informação. Essa necessidade “encurtou” nosso tempo, pois minha competência ancora-se no meu preparo, no meu saber. Esse preparo é passado aos filhos, que também correm atrás do tempo.
Portanto, corremos com eles e por eles.

A falta de tempo hospedou-se na vida de cada um de tal forma que a convivência tornou-se raridade e o isolamento estabeleceu-se de uma forma inflexível e até irreversível.

Sem perceber, o ser humano adoeceu no isolamento, mas nem por isso mudou internamente. Continua carente de convívio e de relacionamentos profundos.

Ter amigos e conviver profundamente é receita terapêutica para nossa saúde emocional.

Você ainda acha que a solidão é uma escolha?

por Marilena Henriques Teixeira Netto

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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