22
julho

Relacionar-se: enfrentar-se diante do outro

Hoje vamos falar sobre um assunto de interesse geral: os relacionamentos. Seja no âmbito familiar, profissional, afetivo, ou social, os relacionamentos são inevitáveis e a maneira como lidamos com eles, reflete nosso mundo interior. Dentre os sintomas mais comuns nos casos de transtornos psicopatológicos leves até os mais severos, como depressão, transtorno de pânico, psicose maníaco-depressiva, entre outras, encontramos as fobias sociais, a aversão às pessoas.

Não apenas de olhar ou estar onde muitas pessoas estão, mas de lidar com as pessoas, assim ouvimos muitos dizerem: “-Ah, não tem jeito, não gosto de lidar com pessoas”, ou então: “-Tenho vergonha de falar em público, dizer o que penso”. Mesmo que você não queira, é impossível não lidar com os relacionamentos, portanto é impossível não lidar com pessoas.

Por mais que possamos justificar, ainda assim temos que nos relacionar. Você já deve ter ouvido alguém falar: ”-Eu prefiro trabalhar na fábrica de peças ao ter que lidar com pessoas”, “-Ainda bem que trabalho com computadores”, “-Sou costureira, não sei lidar com as pessoas”. Que triste desapontamento sofrem aqueles que não conseguem notar que o consumidor final de qualquer produto ou serviço será uma pessoa, seja um cliente externo, um comprador, um fornecedor, seja um cliente interno, um colega de trabalho, ou o próprio chefe.

Percebo que as pessoas que pensam e agem de forma a negarem que convivem em grupo, tornam seu convívio, cada vez mais penoso, pois a dura ilusão de querermos que as pessoas sejam ideais, que ajam como gostaríamos, que sejam mais honestas, que sejam mais calmas, mais competentes ou obedientes para poupar esforços da nossa parte, nos decepcionam inúmeras vezes. A maior das dificuldades ao lidar com as pessoas, não é porque elas são maldosas, mas é o fato de termos a ilusão de que elas deveriam ser de uma maneira que possamos  controlá-las. Desta forma, não há como não nos machucarmos muito e não nos decepcionarmos com as pessoas, pois elas são o que são e não o que gostaríamos que elas fossem.
Em nosso tema sugiro que você reflita: relacionar-se é enfrentar-se diante do outro, enfrentar a ilusão que temos do outro, a ilusão de que ele é perfeitamente como queremos, alimentando nosso comodismo, nosso mimo controlador: -“Que bom seria se todos me compreendessem e agissem de acordo comigo!”. Nem me diga como está seu relacionamento afetivo… O quanto você queria que seu parceiro(a) fosse a solução para seus medos, complexos, sua insegurança e falta de auto-estima? É claro que podemos trocar experiências, conversar sobre assuntos que precisamos resolver e esclarecer, porém, quando depositamos nossa felicidade nas mãos de outra pessoa, esperando que ela nos anime, nos motive, nos alegre, nos faça tudo o que nós mesmos não fazemos a nosso favor, fazemos birra, brigamos, e nos achamos no direito de ficar revoltados, de “ficar de mal” com o mundo.
Realmente é muito mais fácil se isolar do mundo do que enfrentá-lo, inventar amores utópicos, ilusórios, do tipo: “- Eu amo e não desisto, mesmo que não esteja mais comigo”, do que confrontar-se diante do outro, o que dá muito mais trabalho e por isso poucas pessoas querem fazê-lo. Confrontar sua impaciência, sua insegurança, sua ignorância e porque não dizer seu ego controlador e seus mimos diante do outro. Apesar de mais trabalhoso, o único meio de crescermos é nos relacionando, confrontando idéias, tentando novamente. Não deixe o mundo lhe dizer o que é certo, pois sempre haverá críticas, ignorância e julgamentos. Se você caiu, levante-se novamente e tente outra vez.
Os resultados valem a pena!
Grande abraço…
Dr. Mário Sabha Jr                                                                                                         Fonte:jornal100%vida
Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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