4
setembro

Psicofobia

55 milhões de brasileiros sofrem de transtorno mental, segundo o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Ao longo da história doentes mentais foram acusados de ser possuídos pelos demônios ou o diabo ou de serem bruxos ou demônios ou servos do diabo, sendo queimados nas fogueiras, segregados do convívio social e punidos pela sociedade.

Durante séculos as pessoas com sofrimento mental são afastadas do resto da sociedade, algumas vezes encarcerados em condições precárias, sem direito a se manifestarem na condução da sua vida.

Assim, na cultura grega, os soldados espartanos eram considerados os guerreiros perfeitos, bem treinados fisicamente, corajosos e obedientes às leis e às autoridades.

Para o guerreiro grego (século V A.C.) o ideal de beleza, é a busca da perfeição, do físico, do intelecto e do controle das emoções. Já nascendo como propriedade do Estado, os recém-nascidos de Esparta eram examinadas por um conselho de anciãos, que condenava ao extermínio todas aquelas que apresentassem deficiência ou não fossem suficientemente robustas, por entender que não serviriam para a vida militar, único objetivo da existência de um espartano. Eram lançados do abismo.

Em Atenas, o infanticídio era praticado e defendido pelos intelectuais. Platão dizia ser necessária a eliminação dos débeis e dos deficientes e Aristóteles defendia que uma lei deveria proibir criar crianças aleijadas.
Povos da antiguidade orientavam que os filhos matassem os seus pais quando estes estivessem velhos e doentes. Na Índia os doentes incuráveis eram levados até a beira do rio Ganges, onde tinham as suas narinas e a boca obstruídas com o barro. Uma vez feito isto eram atirados ao rio para morrerem. Nos países árabes os pais eram deixados no deserto; entre os esquimós, no gelo.

Os Romanos tiham atitudes drásticas para com as pessoas com deficiência. A Lei das XII Tábuas, espelho dos costumes de sua época, iniciava a sessão sobre o pátrio poder com as palavras “é permitido ao pai matar o filho que nasceu disforme”.

Nos tempos modernos, quando foi desenvolvida a psiquiatria e psicologia verificou-se que essas pessoas tem uma doença mental, são humanas e não possuem “demônios”. E que esses pessoas podem ser ajudadas, tratadas e muitas delas recuperam seu bem-estar e voltam a uma vida participativa e equilibrada.

Mas a população continuar a ter forte preconceito e descriminalizar as pessoas que apresentam transtorno mental. Dessa forma, as pessoas que já sofrem com a doença mental, ainda tem que enfrentar seus medos de revelar suas angústias, medo de ser discriminado e punido.

O excessivo medo, mas, especialmente, o preconceito ou discriminação contra os doentes mentais chama-se psicofobia.

Nos últimos anos a houve um grande movimento mundial para dar suporte a pessoas que sofrem de distúrbios mentais, como a depressão, esquizofrenia, bipolaridade, dislexia, autismo, ansiedade, transtornos alimentares, síndrome de Down, dentre outros.

No Brasil a situação é muito grave. Para ser ter ideia, cerca de 55 milhões de brasileiros sofrem de transtorno mental, segundo o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. E esses brasileiros sofrem também dos preconceitos e discriminação. Por exemplo, no Brasil a maioria dos pacientes graves está morando nas ruas ou nas cadeias.

Não temos campanhas de prevenção nem perspecitivas de mudança.

E os gastos com a saúde mental no Brasil são cada vez menores.

Também é muito forte o preconceito na hora do doente mental procurar tratamento e emprego. Ele não se trata por receio de ser estigmatizado como louco. Muitos pedem receitas, atestados ou declarações médicas sem identificação do psiquiatra, com medo de serem demitidos do trabalho.

Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que a depressão e os demais transtornos mentais crescem exponencialmente entre os brasileiros, é proporcional a escalada do preconceito em torno deles. É hora de combater essa discriminação. A expressão psicofobia, que começa a circular entre psiquiatras, psicólogos e leigos na internet, expressa justamente o nefasto preconceito contra os doentes mentais e portadores de deficiência.

Aos poucos, o bom-senso da causa vai ganhando adesão. Nas esferas médicas, o Conselho Federal de Medicina, a Federação Nacional dos Médicos, a Associação Médica Brasileira e a Associação Brasileira de Psiquiatria declararam apoio.

A luta das entidades médicas e de pessoas que sofrem de transtorno mental chegou ao Senado sob o título “Psicofobia é crime”. Profissionais da área de saúde mental, em audiência pública no dia 29 de agosto na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), solicitaram a inclusão de emenda ao projeto de reforma do Código Penal (PLS 236/2012). O senador Paulo Davim (PV-RN), que presidiu a reunião, já elaborou emenda ao projeto do novo Código Penal para estabelecer medidas e providências em casos de psicofobia.

Mudar esse quadro é o desafio que se impõe e para o qual todos devemos participar. O desafio é não apenas reformar, mas transformar a sociedade, as práticas de saúde mental e a Justiça a fim de que elas correspondam aos anseios dos cidadãos.

Via:Dr. Tarcio’s

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE, MENTE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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2 ideias sobre “Psicofobia

  1. Eu sei na pele o pré-conceitos que esses “normais” no corpo, e anormais no espírito dizem e fazem discriminando. Esquecem que o Universo a todo momento conspira a em favor de tudo que plantamos. Devemos saber semear….porque a colheita é obrigatória.

  2. PRECISO COM EXTREMA URGÊNCIA DEVIDO A GRAVIDADE DOS FATOS QUE PÕE EM RISCO MINHA INTEGRIDADE FÍSICA,EMOCIONAL E PSICÓLOGICA POR PEDIR SOCORRO COMO CIDADÃ QUE SOU CUMPRIDORA DE MEU DEVER PERANTE O ESTADO DA BAHIA E NEGLIGENCIADA TOTALMENTE PELO DESCASO DO MINISTÉRIO PÚBLICO,DEFESORIA PUBLICA,NUCLÉO DE DIREITOS HUMANOS DO CAB,CENTRO DE REFERÊNCIA LORETA VALADARES,VARA DE VIOLÊNCIA DAS MULHERES E TODA REDE DE PROTEÇÃO Á MULHER GEDEM,GEDEF,A 1 VARA CIVEL,O SERVIÇO 190 DA POLÍCIA MILITAR E AS OUVIDORIAS RESPECTIVAS AS QUAIS NADA FIZERAM ATÉ O PRESENTE MOMENTO CARACTERIZANDO ASSIM CRIME DE OMISSÃO E VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS PONDO EM RISCO MINHA VIDA JÁ QUE ESTOU AMEAÇA DA DE MORTE E SOFRO DE DISCRIMINAÇÃO E PRECONCEITO “PSICOFOBIA” DESDE ADOLESCÊNCIA POR PARTE DE FAMILIARES ONDE VIVO ISOLADA MEEUS DIREITOS VIOLADOS CRUELMENTE TANTO PELO SEI FAMILIAR ONDE SOU IMPEDIDA DE CONVIVÊR CO MINHA NETA ANDRÉA DE 07 ANOS ONDE O ESTADO JÁ ME CAUSOU DANO FAZENDO EU PERDER MEU PÁTRIO PODER SEM ME OUVIR NAS MINHAS DUAS GESTAÇÕES FAZENDO ASSIM A GENITORA QUE É MAIOR CAUSADORA DE CONFLITOS ENTRE OS MEMBROS IRMÃOS E O CASAL DE FILHOS JÁ ADULTOS.DESDE JÁ ESPERO PROVIDÊNCIAS Á NÍVEL DE PUNIÇÃO E EXONERAÇÃO DOS ENVOLVIDOS PARA QUE A JÚSTIÇA SEJA FEITA JÁ QUE DEVIDO A DANO AFETIVO MORAL E PSICÓLOGICO QUE CAUSOU A OMISSÃO DO ESTADO ME ENCONTRO SEM CONFIANÇA NO PODER JÚDICIARIO DO ESTADO DA BAHIA.PRESTO ESCLARECIMENTOS TOTALMENTE DOCUMENTADO COM GRAVAÇÕES,FOTOS E PROTOCOLOS DOS PROCESSOS QUE SÃO DESCARACTERIZADOS E DESQUALIFICADOS PELO FATO DE SER ACOMETIDA DE TRASTORNO MENTAL O QUE NÃO ME EXCLUI DO DIREITO DE CIDADÃ MUITO PELO CONTRÁRIO. APURAÇÃO DOS FATOS ONDE NA REDES SOCIAIS E ORGÃOS COMPETENTES.SOLICITO APURAÇÃO E EXECUÇÃO DA LEI 10.216/2001 E A EMENDA 472 DO CÓDIGO PENAL ONDE CRIMINALIZA “PSICOFOBIA” COMO CRIME AINDA EM VOTAÇÃO EM BRASÍLIA.PEÇO RIGOR NESSA DEMANDA.DENUNCIO A OMISSÃO E O DESCASO DO ESTADO DA BAHIA EM 05 DE ABRIL DE 2013. VANUZIA CARNEIRO 48 ANOS,CIDADÃ SOTEROPOLITANA.SALVADOR BAHIA BRASIL

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