2
outubro

Por que corremos tanto?

Parece que o tempo encurtou e que isto vai acontecendo sempre mais, pois temos tanto o que fazer e só vivemos a correr! Numa velocidade muito maior do que o nosso equilíbrio emocional suporta, ultrapassando os avisos que nos assinalam a ultrapassagem dos limites suportáveis do organismo, vencendo recordes, sempre cansados, vivendo momentos sem viver, respirando mal e muitas vezes sem compreender bem para onde estamos realmente indo e o que desejamos para as nossas vidas. E assim, os dias vão indo, nós junto com eles, e, como na correria nos desconectamos de nossos Espíritos, empobrecemos as nossas almas, que, sem estarem sendo alimentadas, entristecem, definham.

Daí vermos com assombro, em volta de nós, tantas pessoas desanimadas, desmotivadas, sem brilho no olhar, sem amor pela vida. Tudo porque estamos correndo além do nosso fôlego, da nossa capacidade de processar o que nos acontece. As emoções vão se amontoando dentro de nós, como roupas atiçadas sem cuidado dentro de uma gaveta, peças sujas misturadas com limpas, velhas com novas, usáveis com aquelas que já poderíamos e deveríamos ter passado adiante. Uma confusão muito grande, uma bagunça tremenda… e não há tempo para a arrumação, pois temos sempre muito o que fazer, coisas que “não podem esperar”.

E lá vamos nós, andando mal, esbarrando nos outros, pisando em muitos, magoando a nós mesmos. Para que? Para onde estamos indo? Duvido que nós saibamos… mas precisamos ir, temos que ir indo… Onde tudo isto vai dar? Como vamos estar no fim desta maratona toda? Será que felizes pela vida vivida, pelas relações que conseguimos cultivar, ou será que esvaziados, envelhecidos, desgastados e vencidos?
Contrastando com este cenário criado por nós, seres humanos, em volta, a Natureza ainda se preserva ritmada e buscando manter o seu equilíbrio. O sol sempre ainda nasce, todos os dias; no fim do dia se despede e permite que a noite nos propicie um cenário mais tranqüilo, para que possamos dormir, relaxar, descansar.

Será que nos permitimos acompanhar este ritmo, ou continuamos a trabalhar, a nos movimentar, neste vai-e-vem descontrolado e pernicioso que acaba por nos fazer adoecer e que vai contaminando o planeta inteiro, mudando o clima, dificultando a produção de alimentos, gerando cataclismos gigantescos onde uma quantidade incontável de pessoas perece de uma só vez, deixando em volta muita tristeza, desolação e saudade.

E tudo começa em cada um de nós. Se queremos contribuir para a cura planetária precisamos nos harmonizar. O problema não está na China, ou em qualquer local do Oriente, está muito próximo, em nossas almas e muito podemos fazer para melhorar tudo isto, nos cuidando, nos respeitando, nos amando. Compreendendo a nossa parcela de responsabilidade diante de todos.

Sendo paz, vivendo a semear tranqüilidade – apesar do tumulto reinante – estaremos jogando água no incêndio que já faz arder muitos locais e tantos corações. É hora de ação – mas para ela se dar, talvez seja preciso, mesmo, muita meditação. Para que a Voz de nosso Espírito nos aquiete e nos indique o caminho que parece não ser o que a maioria está escolhendo.

Para que tenhamos tempo para amar, para sentir, para realmente trabalhar de maneira consciente, sendo quem somos de verdade e doando aquilo que temos, com sinceridade. Que façamos menos, mas com qualidade. Que o silêncio também tenha espaço em nossas vidas, para que a Sabedoria possa nos comunicar de que forma precisamos andar. E que a gente tenha tempo, também, para sonhar!

por Maria Cristina Tanajura

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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