28
setembro

Perfeccionismo, distorção.

O número de pessoas perfeccionistas que têm chegado aos consultórios é crescente. O mundo moderno demanda excelência, rapidez, conhecimento diversificado e informações precisas em tempo recorde. As cobranças externas estão cada vez mais intensas. Com isso espera-se que um profissional esteja sempre atualizado e altamente especializado.

O equívoco do perfeccionismo como uma qualidade tem ganhado lugar em muitas empresas- o que, consequentemente, contribui para o amento do problema. Existe uma distorção muito difundida de que o valor estaria no que se realiza, aparenta ou consegue, e não no que se é. Nesse novo conceito de vida, o ser perfeito é uma obrigação que deveria ser cumprida por todos.O maior desejo dessas pessoas é a aprovação dos outros à sua volta, a fim de se sentirem aceitas, amadas e seguras de si. Entretanto, o seu comportamento de cobrança e esquiva propicia superficialidade e conflito nas relações. As pessoas perfeccionistas não se contentam com o usual e mediano, querem sempre mais. Elas possuem regras rígidas a respeito de si e algumas vezes a a respeito dos outros.
Para o perfeccionista, não existe espaço para o erro, pois isso seria sinônimo de fracasso total, mesmo que esse erro não tenha implicado em grandes comprometimentos. Isso o torna escravo dos êxitos, levando-o muitas vezes a se esquivar de situações de risco por medo de se frustrar caso não consiga fazer que esperava de si
Alguns perfeccionistas produzem muito e bem, o que dá a falsa impressão de que ser perfeccionista é bom. É comum nessas pessoas pensamentos facilitadores que acabam sendo sabotadores. Como por exemplo: “Eu só consegui este emprego porque me cobro muito”. O problema, no entanto, não está em querer ser bom, competente, capaz, mas sim, na cobrança de ser perfeito. Almejar melhorar e se esforçar para isso é maravilhoso, desde que se consiga conviver com as eventuais falhas e fracassos. O sucesso não deveria ser avaliado pelo resultado, mas sim pelo esforço.
Perfeccionistas pensam que a perfeição previne sofrimento, pois não há erros. Mas dessa meta irrealista decorre uma frustração quando não conseguem o que esperam de si. Elas entram num círculo vicioso e se cobram mais tentando controlar o incontrolável. Pensam muito sobre o que deveriam ter feito, se distanciando, assim, de suas metas- o que muitas vezes gera depressão.
Podemos perceber que o perfeccionista apresenta sérias distorções cognitivas que precisam ser desafiadas a fim de torná-lo uma pessoa mais flexível e de bem com a vida.
A Terapia Cognitiva, portanto, é um excelente instrumento, pois propicia que o indivíduo perceba seus pensamentos e cobranças e se questione se eles estariam colaborando para a realização das suas metas. Assim, fica claro que o perfeccionismo é uma atitude compensatória de crenças disfuncionais. O desafio dessas crenças, portanto, colabora com a percepção de que todos têm limitações em determinadas áreas e isso não faz ninguém inferior e que o fato de não ser bom em tudo não é uma falha, mas o natural.
Dessa forma, a terapia cognitiva tem muito o que fazer no trabalho com os perfeccionistas, pois ajuda a reestruturar as crenças, o que permite entender o fracasso como um caso isolado e não uma constante na vida, acarretando também uma visão mais otimista- e, nem por isso, menos realista.
Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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