31
maio

Parar de fumar: força de vontade e ajuda médica

Nos últimos meses, a imprensa e a sociedade têm acompanhado o tratamento do câncer de laringe diagnosticado pelos médicos no ex-presidente Lula. O câncer de Lula é um dos mais frequentes no Brasil.
Segundo dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer), 10 mil novos casos da doença são diagnosticados por ano no Brasil. Entre as causas do câncer de laringe estão o fumo e o consumo de álcool. O cigarro aumenta o risco de câncer em cerca de 10 vezes, e, se além de fumar a pessoa consumir álcool, este risco é elevado para 43 vezes a mais do que pessoas que não fumam ou bebem.

“Ter alguém próximo vítima de uma doença relacionada ao cigarro faz com que muitos pensem em parar. Mas em geral, abandonar o cigarro não é fácil. É necessário força de vontade, algumas técnicas e, muitas vezes, ajuda de medicamentos”, afirma a Drª Elisa Brietzke, do Departamento de Psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Pesquisas mostram que o grande medo do fumante é o desenvolvimento de sintomas causados pela falta do cigarro, também conhecidos como síndrome de abstinência. Os mais comuns são: ansiedade, irritabilidade, dor de cabeça, tonturas, dificuldades de concentração, aumento do apetite e vontade de fumar. Estes efeitos apresentam maior intensidade após dois ou três dias sem fumar, duram cerca de uma semana e depois vão desaparecendo gradativamente.

Elisa esclarece que esse mal estar surge em decorrência da falta de nicotina no organismo. “Quando a pessoa fuma e a nicotina atinge novamente o cérebro, os sintomas são aliviados. Por isso, os fumantes dizem que o cigarro os acalma. Na verdade, é a nicotina aliviando a sensação da abstinência”.

Medicamentos como aliados
De acordo com a doutora, os remédios desenvolvidos para parar de fumar têm dois princípios. O primeiro deles repõe a nicotina de forma contínua e progressivamente menor, para que a pessoa não tenha sintomas da abstinência repentina. Este é o caso dos adesivos ou chicletes. O segundo tipo são os antidepressivos, especialmente aqueles com ação nos receptores de dopamina (como a bupropiona). “Estes medicamentos regulam os níveis desse neurotransmissor em uma região do cérebro ativada pela nicotina, diminuindo a vontade de fumar”, explica.

Embora seja possível parar de fumar sem medicamentos, estudos que compararam as duas possibilidades (com e sem medicamentos) indicam que as pessoas que usam medicação tem maior chance de conseguir parar.

“Além disso, é sempre melhor tomar uma medicação para parar de fumar do que ter que receber medicamentos para tratar as complicações tardias do cigarro, como o câncer”, avalia a doutora.

Drª Elisa Brietzke Saúde da Mente

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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