24
abril

Opiniões alheias

Qual é o peso das opiniões dos outros em sua vida?
Você modifica uma atitude ou um pensamento seu baseado no que os outros vão pensar ou achar de você?
Você tem medo de ser alvo de fofocas, ou tem medo de críticas?
Existe por trás de todos esses medos o desejo intenso de ser admirado, amado, ovacionado. Este desejo aprisiona a pessoa, pois esta passa a levar a vida baseando-se somente no que os outros vão pensar, ou vão falar.

Perde-se a espontaneidade e a liberdade, até chegar um momento em que a pessoa não sabe mais qual é a sua real opinião sobre as coisas, fica sem referencial próprio. É o preço que se paga para viver e agir seguindo os padrões dos outros e não os próprios.
Tenha uma coisa muito clara: críticas sempre existirão. E as críticas vêm quando duas opiniões divergem. Devemos aceitar as que forem construtivas e usá-las para melhorar. Pois cada um tem um modo só seu de ver as coisas. Logo por ser um modo único, é diferente. Muitas vezes o outro vê a solução que você não consegue encontrar.

Um dos papéis do psicólogo é dar este outro olhar, mostrar outra forma de ver, e assim amplia-se o horizonte do cliente.
Pergunte a opinião de duas pessoas sobre o mesmo assunto que você notará as diferenças. Um gosta do amarelo outro do preto, um do salgado outro do doce, e “vive la différence!” É isso que faz o ser humano conseguir conviver, se desenvolver e evoluir.

Se essas diferentes formas de pensar não existissem nossa espécie já teria sido extinta. São as ideias novas que impulsionam o desenvolvimento. Se fôssemos conformados com tudo do jeito que é e gostássemos de tudo do mesmo jeito, ainda moraríamos em cavernas (todos iriam achar bom), vestiríamos peles de animais (a moda continuaria essa, já que todos gostam), e as necessidades seriam as mesmas. Ai de nós.
Mas, o problema não reside nas diferentes formas de pensar e sim em como acatamos algumas destas formas.

Evite as críticas destrutivas: vamos deixar de lado o modo “polianesco” de pensar, e assumir que existe maldade sim. Todos nós temos um lado escuro e um lado claro. Somos feitos de sombra e luz, bom e mal. Esta dualidade presente no homem faz com que às vezes a inveja bata, ou o desejo de maldizer alguém predomine sobre o juízo.
Antes de acatar a ideia do outro como verdade absoluta, passe por uma peneira. Fique com o que vale a pena e jogue fora rápido o que não presta, para não ficar ocupando espaço na sua cabeça.

Saiba que nunca iremos agradar a todos. Nem Jesus foi unanimidade, foi morto por pessoas que não gostaram e discordaram dele. Não dá para ser aceito por todos, alguns acharão que o que você faz não é bom, outros acharão ótimo, mas a medida certa é a sua. Qual é a sua opinião?
Vale manter o bom senso e analisar: se você está fazendo o seu melhor, já é o suficiente.
Lembrar sempre que o tempo é o melhor conselheiro para tudo. Ele mostra que devemos sempre ficar do nosso lado, olharmos com carinho para nós mesmos e darmos muito valor para a nossa opinião. Devemos aprender com os outros, mas não nos tornarmos escravos da opinião alheia. Anatole France, no seu livro “O crime de Sylvestre Bonnard” diz: “(…) Eu que agrado a alguns e submeto à provação todos os homens, que sou a alegria dos bons e o terror dos maus; eu, que proporciono e destruo o erro, devo assumir a responsabilidade de movimentar minhas asas. Não me condene se, no meu voo rápido, levo alguns anos de cambulhada. Quem fala assim? É um velho que eu conheço muito bem, é o Tempo.”

Com o tempo ganhamos firmeza nas asas para podermos voar mais alto. Mas na vida voamos sós, temos que dar conta somente do nosso peso durante a jornada. Não dá para carregar caronas.

Psicóloga Maria de Fátima Hiss Olivares

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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