7
outubro

Obrigado por ser meu inimigo

O título acima pode parecer estranho à primeira vista. Afinal, para que serve um inimigo além de nos aborrecer, irritar e fazer de nossa vida um inferno? Há momentos em que temos a certeza que esta pessoa só nasceu com o objetivo de nos atrapalhar, mas por incrível que pareça, ele tem uma serventia boa sim: serve para nos aprimorar. Como?

Pense comigo, se sucumbirmos à vontade de fazer algum mal á ele, estaremos perdendo o controle sobre nossos sentimentos e emoções. Mas, se você conseguir o contrário, ou seja, resistir às provocações, conseguirá triunfar sobre sua raiva e gradativamente irá aumentando seu autocontrole. Viu? É para isso que o inimigo funciona. Ele nos instiga a crescermos. Se não temos oponentes, fica difícil superarmos a nós mesmos. Vamos continuar.
Tanto o inimigo quanto os fofoqueiros, funcionam como um termômetro moral de nossa sociedade. Muitas más ações são impedidas mediante o receio de comentários alheios. Ou seja, agimos corretamente para não “cairmos na boca do povo”. Não pensem que a fofoca e o “diz-que-me-diz” é exclusividade de cidades pequenas. Nas grandes cidades ocorre a mesma coisa, pois a vizinhança e o bairro formam pequenas comunidades, onde as pessoas se conhecem e portanto tomam conta da vida umas das outras. Até dentro das famílias existem olhos fofoqueiros que alcançam tudo.
Isto também não é ruim, pois passamos a prestar atenção em nossa conduta e fazemos tudo da melhor maneira possível, pois perante o inimigo, uma escorregadela sua é uma vitória para ele, e perante o fofoqueiro é assunto para mais de uma semana. Então, passamos a agir cada dia melhor, até sem perceber.
Os inimigos testam nossos limites. Com eles, conseguimos saber o quanto somos pacientes e tolerantes e temos que descobrir maneiras de expandir ou retrair este limite. Digo retrair, pois às vezes podemos ser tolerantes demais. Talvez por medo de enfrentar a situação, por covardia, por nos sentirmos fracos. O inimigo nos instiga a lutar. Muitas vezes a luta é necessária, e nos ensina a sermos fortes e não desistir.
Testam nosso poder de suportar as adversidades, nossa capacidade de argumentação e nossa inteligência. Assim, com a presença de um inimigo crescemos e amadurecemos cada vez mais.
E finalmente, com os inimigos aprendemos a exercitar a mais difícil de todas as nossas capacidades: a compaixão.
Ter compaixão por um inimigo é transcender a sua condição de humano e poder ajudá-lo a tornar-se um pouquinho mais próximo das grandes Luzes como Jesus, Buda, Francisco de Assis…
Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


Comentários via Facebook

comentários



Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado