5
janeiro

O semeador da Galiléia superando métodos da educação moderna

Há duas maneiras de se fazer uma fogueira: com as sementes ou com um punhado de lenha. Qual maneira você escolheria? Fazer fogueira com uma semente parece um absurdo, loucura. Todos, certamente, escolheríamos a lenha. Entretanto, o mestre de Nazaré pensava a longo prazo, por isso sempre escolhia as sementes. Ele as plantava, esperava que as árvores crescessem, dessem milhares de outras sementes e, aí sim, fornecessem a lenha para a fogueira.

Se escolhesse a lenha, acenderia a fogueira apenas uma vez, mas como preferia as sementes, a fogueira que acendia nunca mais se apagava. Um dia ele comparou a si mesmo a um semeador que semeia no coração dos homens. Um semeador do amor, da paz, da segurança, da liberdade, do prazer de viver, da dependência recíproca.

Quem não consegue enxergar o poder contido em uma semente nunca mudará o mundo que o envolve, nunca influenciará o ambiente social e profissional que o cerca. Uma mudança de cultura só será legítima e consistente se ocorrer por intermédio das singelas e ocultas sementes plantadas na mente dos homens e não por intermédio da imposição de pensamentos. Gostamos das labaredas instantâneas do fogo, das idéias- relâmpagos dos livros de auto-ajuda, mas não temos paciência e, às vezes, habilidade para semear. Um semeador nunca é um imediatista, presta mais atenção nas raízes do que nas folhagens. Vive a paciência como uma arte.

Os pais, os educadores, os psicólogos, os profissionais de recursos humanos só conseguirão realizar um belo e digno trabalho se aprenderem a ser mais do que provedores de regras e de informações, mas simples semeadores. Os homens que mais contribuíram com a ciência e com o desenvolvimento social foram aqueles que menos se preocuparam com os resultados imediatos. Uns preferem as labaredas dos aplausos e do sucesso instantâneo, outros preferem o trabalho anônimo e insidioso das sementes. O que preferimos? De nossa escolha dependerá a nossa colheita.

Cristo sabia que logo iria morrer, mas, ainda assim, não era apressado, agia como um inteligente semeador. Não queria transformar seus discípulos em heróis e nem exigia deles o que não podiam lhe dar; por isso, permitiu-lhes que o abandonassem no momento em que foi preso. As sementes que ele plantava dentro dos galileus incultos que o seguiam um dia germinariam. Tinha esperança de que elas criariam raízes no cerne do espírito e da mente deles e mudariam para sempre suas histórias.

Extraído do livro O mestre da Sensibilidade autor Augusto Cury

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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