5
dezembro

O problema com o sucesso

Eis uma palavra que me acompanha há anos: sucesso. Eu acordo todos os dias e durmo todas as noites com ela na cabeça, de uma forma ou de outra. Boa parte das coisas que eu faço e das decisões que eu tomo são influenciadas por esse objetivo-mor que cada pessoa tem dentro de si chamado sucesso.

Na sexta-feira, li um artigo que não saiu da minha cabeça durante todo o final de semana. “Why I don’t care about success?” me fez pensar bastante sobre o modo como eu encaro o sucesso. Porque, com o passar dos anos, ele tem se tornado um peso cada vez maior nas minhas costas. Deve ter algo de errado aí.

O sucesso é algo que faz parte da vida de (quase) todo jovem profissional. Do momento em que ele presta vestibular em uma grande universidade até sua aposentadoria. O pior é que mesmo que você conquiste, continuará pensando nele e se esforçando para manter. O sucesso é uma mão de 2 vias, embora possa trazer realização e felicidade para quem tem, costuma trazer frustração e tristeza àqueles que não alcançam seus objetivos.

O problema com o sucesso é que ele costuma ser um grande fardo e muitas pessoas fazem coisas terríveis na tentativa de se livrar dele.

“Se você aspira dinheiro, fará coisas horríveis para conseguir. Se tudo que você quer é ter um negócio bem-sucedido, pisará nas pessoas para conseguir. Se tudo que você quer é fama, você abrirá mão da sua dignidade para conquistá-la.” (Zen Habits)

Einstein entendia o segredo do sucesso: “ao invés de tentar alcançar o sucesso, tente ser um homem de princípios”. Se você tem valores sólidos, estará menos suscetível aos males do sucesso e conseguirá por mérito próprio, não usando os outros. Além disso, quando o sucesso chegar, você será humilde como na época em que não era ninguém.

Albert Einstein não foi o único homem bem-sucedido a entender a essência do sucesso. Benjamin Franklin dizia que dinheiro não traz felicidade; Tolstói defendia que a felicidade depende de como nós vemos as coisas; Charles Forbes, o criador de uma das maiores publicações sobre sucesso e negócios do mundo também falava que o sucesso está dentro de cada um — quando você dá o seu melhor, pode se considerar um sucesso, mesmo que todos digam o contrário.

Uma coisa é unanimidade quando o assunto é sucesso: persistência — você não pode dar ouvido aos outros. Mas tem outra coisa menos comum nos livros sobre sucesso: quem o define é você. Quem foi que disse que sucesso é ocupar um cargo executivo em uma grande empresa?

O problema do sucesso é que ele pode ser tanto motivo de felicidade como de depressão. Mas só porque você permitiu. Entender o sucesso como trabalhar em uma multinacional, ser famoso, possuir vários imóveis ou um blog com milhares de visitantes diários é perigoso demais. Tem sido para mim. E se eu chegar aos 40 sem ter nenhum livro publicado, um negócio próprio ou ainda distante do topo da empresa? Mas e se aos 40, eu tiver um casamento feliz, fazendo o que gosto e com saúde? Deverei me considerar um fracassado?

Acho que todos nós deveríamos repensar sobre o que é o sucesso. Garanto que a maioria dos leitores possui mais motivos para se considerar um sucesso do que um fracasso. Se considerar um sucesso talvez até ajude a ir mais longe na carreira profissional, uma vez que otimismo é estimulante. Ao invés de perseguir o sucesso, devíamos seguir o conselho do velho Einstein e tentar ser uma pessoa de valores.

Por Sylvio Ribeiro

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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