23
setembro

“O amor que joga e estabelece padrões de poder ou submissão pode se tornar um jogo muito perigoso e cruel…”

“Esse tipo de amor eu não quero”, me confessou Marcelo (nome fictício) enquanto me olhava confuso.

Como terapeuta, nos sentimos tocados por diversos casos de amor e desamor que os pacientes nos trazem ao divã. São histórias de frustrações, medos, angústias, abandonos… Mas qual ser humano não sentiu uma vez na vida essa solidão quando o ser amado se vai?

Marcelo me explica então, que o tipo de amor que não lhe convém é aquele no qual ele precisa ser sempre o lado frágil da relação.

Questiono a ele sobre a fragilidade e ele me diz que ser frágil é se submeter ao outro, sentir-se sempre submisso e frustrado, precisando dar cada vez mais para sentir afeto, me diz em tom amargo: “me sinto um mendigo do amor”.

Clara (nome fictício), é uma paciente que diz precisar estar no controle para sentir amor. Vou mais fundo e ela me confessa que homens bem resolvidos a assustam, ela precisa sentir que a pessoa ao seu lado é, de certa forma inferior, pois dessa forma tem uma adrenalina e uma compensação do vazio que sente.

Cada vez mais noto que as pessoas têm suas “balanças de emoções” muito direcionadas a carências e muito pouco estabelecidas em um amor saudável e que traga uma troca justa.

É como se estivéssemos vivendo em pleno século 21, numa disputa de poder entre namorados e casais. A insegurança está incrustrada nas pessoas que encontram no outro uma forma de compensação de suas melancolias.

Fetiche da alma

O fetiche da alma, termo que criei, significa a necessidade de amar de uma forma determinada, ou seja, ou sou o escravo submisso ou sou o dominador e preciso estabelecer esse jogo para conseguir sentir que estou em equilíbrio.

Mas um jogo nunca será equilibrado e nunca trará paz real.

O final dessas histórias, assim como as de Marcelo e Carla terão infelizmente um final infeliz e doloroso, como consequência eles buscaram perfis parecidos com os anteriores para preencherem suas carências afetivas.

Pergunto a você:

- Você sente que está jogando em seus relacionamentos?

- Sente que precisa ser submisso ou controlador o tempo todo?

- Está satisfeito com o equilíbrio da balança? Doa e recebe amor na mesma proporção?

Avalie essas três questões e se questione sobre o que realmente busca para a sua vida. Amor não é necessário porque a sociedade estabelece, amor acontece porque aos poucos nos envolvemos com outro ser humano que nos faz sentir paz, segurança, autoestima boa, confiança, lealdade.

O amor que joga e estabelece padrões de poder ou submissão pode se tornar um jogo muito perigoso e cruel, estamos mexendo com as nossas vidas e disfarçadamente cutucando as nossas feridas mais fortes e primitivas.

Esse fetiche emocional nos prende a comportamentos destrutivos e repetitivos, onde não conseguimos sair de relações frustradas e dolorosas. Se você está jogando no amor, algo em seu emocional não está confortável.

Caso esteja doando e recebendo numa proporção de 50% cada um, você está equilibrado e coerente com o lado saudável de um relacionamento e terá muito mais chances de ter o tão sonhado final feliz que todos nós buscamos.

por Tatiana Ades: psicanalista e escritora

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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