10
janeiro

Luto como superar

A morte é relativamente um assunto difícil de ser tratado, principalmente se este é uma acontecimento recente, uma cicatriz que ainda nem começou a se curar. Além disso, a morte é até mesmo ignorada por muitas pessoas e se esquecer dela é algo natural e comum, mas é inevitável, é algo por quais todos nós iremos passar. Antigamente a morte era mais frequente, já que a medicina não era tão desenvolvida e tinha como aliada a tecnologia, ou seja, muitas pessoas morriam antes por doenças consideradas hoje em dia bobas, como por exemplo, a apendicite e tuberculose.

No entanto, as famílias eram mais numerosas, os vizinhos mais próximos e os velórios feitos em casa, assim é possível notar que houve uma grande mudança da sociedade. A correria do dia a dia faz com que nós não conheçamos nossos próprios vizinhos, as famílias estão cada vez mais pequenas, não temos tempo para sair e conhecer novos amigos, enfim, o nosso amor fica direcionado para poucas pessoas, e quanto menor é a quantidade de pessoas que amamos, mais será a dor da perda.

Perder alguém que você ama, um ente querido é verdadeiramente doloroso, principalmente aquela pessoa que estava em nosso convívio diário, com que dividimos tarefas, refeições, alegrias, tristezas, aquela pessoa que estava sempre presente em tudo que façamos. A sensação de dor é tão grande que às vezes parece que é possível sentir o nosso coração rasgando e consequentemente não temos mais forças e nem mesmo motivos para seguir em frente.

Este é o momento em que estamos em choque com a notícia de que tanto amamos se foi para não mais voltar, assim não tem como driblar esta dor e sofrimento, é preciso que suportemos, aceitemos e procuremos vivenciar, seja chorando, gritando, desabafando, enfim, e não se escondendo ou tentando abafar os sentimentos, já que algum dia eles virão à tona. De acordo com especialistas, o choque é uma das primeiras cinco fases do luto, sendo que a subsequente é a de negação.

Nesta seguinte fase o mecanismo de defesa da pessoa começar a ser ativado, ou seja, ela leva a não acreditar e não querer aceitar o que aconteceu, assim na maioria das vezes as pessoas utilizam expressões como ‘eu não acredito que isso aconteceu’, ‘não pode ser possível’, ‘isso não é verdade’, e desta forma, tem a impressão de que a pessoa que faleceu a pouco pode voltar a qualquer momento por aquele porta ou te ligar para dar notícias. A próxima fase é a da culpa, sentimento este muito comum em que as pessoas começam a pensar em tudo o que poderia ter feito para ter impedido tal morte, isto é, se eu tivesse ligado, pedido para ela ficar aqui, e outros.

A fase seguinte é a da depressão, fase em que há mudanças significativas de emoções, como raiva, isolamento, momentos depressivos, crises de choro e outros, sendo que apesar de preocupante, é um momento fundamental para que a pessoa consiga fazer uma análise do que está acontecendo, ou melhor, da morte. A aceitação é a última fase do luto, momento em que a pessoa começa a aceitar o que ocorreu e assim começa a voltar a sua rotina.

Entretanto, mesmo passando por todas estas fases cada pessoa tem uma reação e seu tempo, e assim é importante dizer que a morte não leva apenas a pessoa amada embora, mas também todo o contexto em que ela vivia, ou seja, suas atividades e relacionamentos. Contudo, a dor sempre irá existir e cair a ficha de que aquela pessoa não mais vai voltar e lembrar dela sem chorar, sem sentir aquela dor no peito, escutar seu nome sem se entristecer pode demorar um pouco. Desta forma, siga a letra da música de Renato Russo ‘é preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã’, já que tendo sempre o respeito e uma boa relação fará com que você vivencie a morte de maneira mais serena, sem o peso da culpa de ter feito ou falado algo que ficou mal.

Contudo, não existe uma forma ou dicas de como lidar com a morte, enquanto para algumas pessoas é passageira, para outras é demorada até demasiada. A única forma é encara de frente e construir aos poucos uma nova história, sem remorso, sem culpa, pois somente o tempo se encarregará de amenizar esta dor que você vem sentindo no peito, o nó na garganta e a lágrima nos olhos. Converse, distrai-se, busque apoio de amigos e familiares, eles são sua força em qualquer momento.

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Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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