16
janeiro

Ler autores clássicos estimula o cérebro e pode servir como ‘autoajuda’, diz estudo

Atividade cerebral parece aumentar com a leitura de textos clássicos, o que não ocorre quando uma pessoa se depara com a mesma história, mas escrita de forma coloquial

William Shakespeare: A leitura de obras clássicas estimula a atividade cerebral e ainda pode ajudar pessoas com problemas emocionais, diz estudo (Georgios Kollidas/Hemera/Getty Images)

Ler obras clássicas da literatura, como os livros de Shakespeare, Fernando Pessoa e T. S. Eliot, estimula a atividade do cérebro de uma forma mais intensa do que a leitura de textos coloquiais. Foi o que concluiu um estudo feito na Universidade de Liverpool, na Grã-Bretanha, e divulgado pela própria instituição nesta terça-feira. A pesquisa ainda mostrou que os clássicos podem, muitas vezes, ser mais eficazes do que livros de autoajuda para auxiliar pessoas que tenham algum problema emocional.

Para chegar a esses resultados, a equipe que realizou o trabalho, coordenada por Phillip Davis, professor da Universidade de Liverpool, selecionou 30 voluntários e pediu que eles lessem o primeiro trecho de uma série de obras clássicas da literatura inglesa. Depois, os participantes foram orientados a ler a mesma história, mas reescritas em uma linguagem coloquial. Nesses dois momentos da pesquisa, os autores monitoraram a atividade cerebral dos indivíduos por meio de exames de ressonância magnética.

Alimento para a mente — Os pesquisadores observaram, então, que a atividade cerebral dos participantes “dispara” quando eles se deparam com palavras incomuns ou com uma estrutura semântica complexa. No entanto, a atividade do cérebro continua normal quando o indivíduo faz a leitura do mesmo conteúdo, mas escrito de uma forma coloquial. Segundo o estudo, esses estímulos proporcionados pelas obras clássicas se mantêm durante um tempo, podendo surtir efeitos positivos a longo prazo para a mente de uma pessoa, como a sua capacidade de concentrar-se, por exemplo.

A equipe também descobriu que a leitura de textos clássicos afeta a atividade do lado direito do cérebro, região onde são armazenadas as lembranças autobiográficas. Isso, segundo os pesquisadores, ajuda um indivíduo a refletir e a entender melhor as suas lembranças. Portanto, pode servir como uma atividade de autoajuda mais útil do que os próprios livros com essa finalidade, segundo os autores. “A poesia não é só uma questão de estilo. A descrição profunda de experiências acrescenta elementos emocionais e biográficos ao conhecimento cognitivo que já possuímos de nossas lembranças”, diz Davis.

(Com agência EFE) via veja

Publicado em AUTOCONTROLE, DICA DE LEITURA, MENTE, SAÚDE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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