19
setembro

Intenção de ajudar o outro pode ser motivada por um desconforto em nós

por Saulo Fong
Em algumas ocasiões, sentimos a necessidade ou o desejo de ajudar o outro.
Motivação para ajudar nem sempre é altruísta

A maneira de ajudarmos está totalmente relacionada à forma de percebemos nós mesmos e o outro. Isso afeta diretamente o resultado de nossas ações. A pergunta a ser feita é: Como podemos ajudar para que todos possam se desenvolver e se fortalecer a partir de nossa ação?

Como ajudar da forma mais eficiente e profunda possível?

Esta reflexão nos leva a uma conhecida metáfora: dar o peixe ou ensinar a pescar?

A verdade é que não existe uma resposta certa ou errada para todas as situações. Muitas pessoas que utilizam essa metáfora têm como intuito criar um padrão onde o melhor é ensinar uma habilidade. Pode fazer sentido na maioria das vezes, porém há situações onde dar o peixe seria o mais recomendado no momento. Por exemplo, mantendo-se na linha de pensamento dessa mesma metáfora, caso a pessoa esteja tão faminta e desnutrida, não haverá tempo nem condições para que ela aprenda a pescar. O trabalho seria em vão.

Sensação de desconforto motiva ajuda

Muitas vezes, quando agimos a partir da intenção de ajudar, nos baseamos apenas em um desconforto que está em nós. Esse desconforto é um sinal de que algo no contexto externo não está de acordo com nossas crenças e valores.

O desconforto é muito pessoal e relativo. É uma sensação física. O que você sente quando você vê alguém chorando? Qual a sensação? Muitas pessoas não suportam essa sensação e fazem algo para se livrar dela. Por isso a chamo de desconforto. Para algumas pessoas, chorar está relacionado à fraqueza. Isso é uma crença: “Quem chora é fraco.”, “Homem não chora”, etc. Entretanto, algumas vezes acreditamos ou achamos que algo seja importante e isso pode não ser o mesmo para outra pessoa. E se agimos unicamente a partir deste desconforto, estaremos nos baseando unicamente na nossa necessidade de nos sentirmos bem e não estaremos olhando para o todo.

É muito comum que pessoas sintam-se emocionadas em workshops de Constelações Familiares. Entretanto, algumas pessoas sentem-se incomodadas com o estado emocional aflorado do outro, e logo vão consolá-las. Tais pessoas jogam o peso do seu desconforto no outro, colocando-se de certa forma numa posição superior em relação à pessoa que consolaram, desmerecendo a força da pessoa de lidar com a própria emoção.

Dessa forma, conectar-se com a situação, mantendo-se presente e sabendo qual o seu papel naquele exato momento é fundamental para que sua visão fique mais clara e você tenha uma percepção mais ampla da situação.

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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