16
abril

Fiel depositário da felicidade

Há tempos ouvi esta historinha, mas não me recordo o autor: “Um homem passando em frente à uma bela casinha, viu uma senhora já idosa procurando algo no jardim da casa. Ele parou e disse:
- A senhora perdeu alguma coisa?
- Sim, meu bom rapaz, perdi meu anel e estou a procurá-lo há horas.
Comovido, o homem resolveu ajudar a velhinha a procurar o tal anel.
Procurou no jardim, moita por moita, planta por planta e duas horas depois, já exausto, perguntou:

- A senhora tem certeza de que perdeu seu anel aqui?
- Não – respondeu a velhinha – Eu o perdi dentro de casa, mas lá estava escuro para procurar.
Esta é uma bela maneira de mostrar como procuramos nossa felicidade. Geralmente não a procuramos dentro de nossa casa, ou seja dentro de nós mesmos, por ainda estar escuro, não nos conhecemos o suficiente, não colocamos tanta luz sobre nós quanto precisávamos. Fica mais fácil procurarmos a felicidade nos outros, no trabalho, no marido, na esposa, nos amigos. “Só serei feliz quando ganhar um aumento”. “Só serei feliz quando encontrar meu príncipe encantado”, “Só serei feliz quando meus filhos pararem de brigar”, “Só serei feliz quando o dólar cair”.

Tudo isso são fatores externos, nenhum interno. O universo todo tem culpa da sua infelicidade, menos você. É uma atitude até que cômoda, já que isso tira um belo fardo de responsabilidade das suas costas. Afinal não é fácil ser responsável pela própria felicidade. Existe até um certo romantismo em ser infeliz.

As outras pessoas transformam-se em fiéis depositárias de sua felicidade. Você deposita sua felicidade nos outros e só é feliz dependendo deles. Se aceitam você, se gostam de você, se o acham bonito, ou pior, só é feliz se está com alguém “especial” (coloquei em aspas mesmo, pois o especial deveria ser você).

Uma outra maneira de transferir nossa felicidade para o outro é só se preocupar com a felicidade alheia. “Só sou feliz se você for feliz” ou “Só sou feliz se fizer você feliz”, aumenta mais ainda a carga de responsabilidade depositada na outra pessoa, pois agora ela tem que ser feliz do seu jeito e não do jeito dela, ou seja “a outra pessoa tem que ser feliz por você”. Tremendo erro.

Então: PARE AGORA DE PROCURAR A FELICIDADE FORA DE VOCÊ. Ela está dentro de você, e só você é responsável por ela, ninguém mais. Quando se procura a felicidade dentro de si mesmo, descobre-se um universo de coisas novas, novas possibilidades, aumenta-se a auto-estima, melhora-se a saúde. É fácil? Não, mas como tudo na vida requer um começo, comece hoje, com pequenos passos. Dê passinhos de bebê, devagar, um por vez. Descubra-se devagar. Comece a procurar o anel dentro de casa, no lugar certo, onde ele realmente está.

Que tal lembrar de qualidades suas há tanto tempo esquecidas? Lembrar de como você era feliz na sua infância, onde a criança simplesmente é feliz por existir. Guarde esta lembrança na memória e traga-a para o presente quando você se sentir triste. Redescubra o prazer de uma boa gargalhada, de fazer aquele doce gostoso a que só você consegue dar o ponto, de ver uma flor que você plantou ficar cada vez mais bonita, de tomar um banho bem cheiroso. Pequenos prazeres aos quais quando você começa a prestar atenção, se tornam grandes, preenchem a vida. A beleza está nos detalhes, e estes formam o todo.

Fique feliz e comemore suas pequenas conquistas diárias. Dê a você mesmo presentes e momentos especiais. Por que você precisa de uma data especial para usar aquela roupa bonita? O dia de hoje não é especial? Por que esperar por uma visita ilustre para colocar sua melhor louça na mesa? Você e sua família não são ilustres? Você merece um lindo buquê de rosas, de você para você mesmo. Ou uma bela garrafa de vinho. Por que não? Matricule-se naquele curso que há tempos você quer fazer e está sempre adiando, vá ao cinema, coma pipoca, pule corda ou jogue bola com as crianças. Faça do seu jeito, descubra o seu jeito de ser feliz. Assuma a responsabilidade por você mesmo. A felicidade mora dentro de você.

Escrito por M. de Fátima Hiss Olivares Psicóloga

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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