12
julho

Como surgem as carências afetivas

O ser humano nasceu para viver em grupos, por isso é comum que se deseje companhia na maior parte do tempo na medida do possível. Nas eras primitivas esse agrupamento tinha por finalidade defender-se de predadores, assim criou-se o paradigma de que quem está só, corre perigo.
Por isso vimos tantas pessoas com medo da solidão, pois estar só é não (em teoria) não ter com que contar, e isso vale pra todos os setores da vida humana. Assim surgem as carências que são definidas pelo Dicionário Aurélio como: “falta, ausência, privação, necessidade, privação”. 
É na interação com outras pessoas que o ser humano desenvolve-se, portanto, até aqui, quando falo de carência refiro-me não somente às afetivas, mas a todo tipo de carência, pois foi necessária essa colocação a fim de prosseguirmos.
A carência afetiva surge a partir de estímulos que se originam no ambiente, mas que os indivíduos nem sempre e dão conta. Apenas para ilustrarmos, peguemos como exemplo a época do dia dos namorados, quando os estímulos áudio-visuais da mídia reforçam a idéia de que ter alguém é bom. Essa idéia vai de encontro às idéias pré-concebidas, assimiladas pelo indivíduo ao longo da vida.
Damos a isso o nome de Dissonância, pois de acordo com Pisani “as pessoas tendem a buscar situações e informações que são consonantes com as atitudes já existentes”. Assim, se ele está sem um relacionamento afetivo, é natural que sinta-se triste e deslocado do grupo, à margem da sociedade em que vive e que exige que as pessoas estejam acompanhadas. Para o sociólogo Bauman as pessoas buscam relacionamentos na esperança de mitigar a solidão.
Outro fator que colabora para encorpar carência afetiva é momento biológico. Em determinados ciclos, alguns hormônios são jogados na corrente sanguinea, estimulando o corpo a ter relações sexuais. Essa informação é traduzida no plano consciente como “ter alguém”. Mas o que isso significa varia de indivíduo para indivíduo. Enquanto uns querem apenas manter relações para alviar as tensões biológicas, outros querem um parceiro fixo, que além do prazer sexual dê atenção e o perceba como sujeito.
Portanto é soma desses dois fatores: (estímulos ambientais + fatores biológicos)que nascem as carências afetivas.

O que se saber sobre isso é que nesses momentos, as pessoas estão mais sensíveis, portanto mais abertas e mais crédulas, o que faz com que muitos se envolvam em relacionamentos infelizes. Por isso é aconselhável, que, mesmo nos momentos de carência extrema, o indivíduo tente fazer uma análise fria sobre a pessoa que escolheu para se envolver e sobre si mesmo, pois de acordo com Bauman quando as pessoas se apaixonam, tendem a agir de modo destrutivo controlando ou agredindo.

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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