21
março

Ciúme

”Os ciumentos sempre olham tudo com óculos de aumento, os quais engrandecem as coisas pequenas, agigantam os anões e fazem com que as suspeitas pareçam verdades.”- Cervantes. Ciúme é uma emoção humana comum. Em histórias românticas o ciúme é o tempero que torna as tramas mais interessantes de serem lidas. Para William Shakespeare o ciúme é um “monstro de olhos verdes”, para outras pessoas é um sentimento que indica o quanto o outro o ama e pode ser considerado prova de amor.

Sendo a monogamia norma social, o ciúme é aceito por ser considerado como forma de proteger a família e zelar pela moral. No século XIV era relacionado à paixão e devoção à pessoa amada, com os ideais românticos da época. É um sentimento triste, que Sócrates chamou de “dor da alma”. Segundo o dicionário Aurélio; “ciúme sm. 1. sentimento doloroso causado pela suspeita de infidelidade da pessoa amada; zelos. 2. Angústia provocada por sentimento exacerbado de posse.” Estamos até aqui falando de um conceito de ciúme dentro da normalidade, o problema é quando o ciúme ganha formas patológicas.

No ciúme normal é passageiro, baseado em fatos reais e sem prejuízos tanto para a pessoa que sente o ciúme quanto para o seu parceiro. Quando o ciúme se transforma em “doença” aparecem vários sentimentos desproporcionais ligados ao medo da perda do outro. Para esta pessoa a linha que divide a realidade da fantasia é muito tênue e está a um passo do delírio.

Há uma relação clara entre o ciúme patológico e a auto-estima rebaixada. Nota-se que estas pessoas são extremamente sensíveis, carentes e usam seu comportamento agressivo como forma de defesa. É um comportamento que traz muito sofrimento tanto para o ciumento quanto para o seu companheiro, além de culpa e vergonha, mas o ciumento não consegue se controlar. Quando sente o ímpeto do ciúme, isto se torna maior que sua vontade e ele cobra, reage, age, magoa e se machuca. Desconfiança desmedida pela fidelidade do outro.

Compulsão à verificação – bolsos, celular, contas. Inquisição constante: companheiro tem que fornecer um relatório completo do seu dia, passo a passo. Segue o companheiro ou pede para alguém seguir. Pergunta sobre o comportamento do companheiro aos colegas dele ou familiares. Abre correspondências do outro, ouve telefonemas e abre e-mails. Preocupação excessiva com os relacionamentos do passado (ex-namorada, ex-esposa).
Por mais que o companheiro se explique esta explicação nunca é suficiente. Não traz paz, e sim aumenta ainda mais as dúvidas. Realizam visitas e telefonemas surpresa no local de trabalho ou onde o companheiro se encontra. Necessidade e grande desejo de ter o controle total sobre os sentimentos e a vida do companheiro.

Medo desproporcional de perder o amado para outra pessoa. Sentimentos presentes: medo, raiva, culpa, humilhação, vergonha, ansiedade. Tem mais medo de perder o outro para um rival do que perdê-lo para a morte. Seu medo de perder o outro ocasiona a perda do outro, pois este não agüenta e sai do relacionamento. Tanto o ciumento quanto o cônjuge deveriam procurar acompanhamento psicológico ou a participação em grupos de ajuda, pois sozinhos acaba sendo difícil conviver com este problema.

Escrito por Maria de Fátima Hiss Olivares

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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