26
dezembro

Carência. Você tem fome de quê?

Carência por definição é uma sensação de vazio que a pessoa procura preencher com o afeto de outras pessoas. Através de parceiros, familiares, amigos e filhos, o carente demonstra sua expectativa em receber atenção e, algumas vezes, torna-se um peso, pois por mais que receba o que tanto espera, parece que nunca é o suficiente. A pessoa carente tem fome de afeto, quer receber o tempo todo atenção e carinho tornando-se escrava destes sentimentos que a dominam.

Algumas vezes sentimos uma carência situacional ao sofrermos uma perda ou uma separação, isso é normal e, pode acontecer, devido a uma descompensação hormonal, da mulher sentir-se mais frágil e carente na TPM ou na gravidez. No entanto, após um tempo de elaboração da perda, após a TPM ou gravidez, a pessoa volta a se sentir bem consigo mesma.

O carente patológico acredita que não está recebendo amor suficiente e que isso pode estar ocorrendo porque ele mesmo não está amando o suficiente e assim, resolve dar mais para receber mais, tornando-se “grudento”.

A carência faz com que muitas pessoas, por qualquer migalha, permaneçam em relacionamentos disfuncionais. Aquela música do Erasmo: “antes mal acompanhado do que só” foi escrita para um carente patológico, com certeza.

A carência tem estreita relação com a autoestima porque quanto maior o amor que a pessoa tem por si mesma, maior o autorrespeito e a responsabilidade com a própria felicidade. Uma pessoa que consegue se saciar com a própria companhia, não tem fome constante de afeto.

Muitas vezes duas pessoas carentes se juntam e ficam o tempo todo pedindo provas de amor, “de boca aberta” sempre, esperando mais afeto, mais atenção, mais… Esta relação permanece esvaziada e não oferece espaço para o crescimento.
Normalmente o carente é um pouco egoísta e escolhe como parceiro uma pessoa generosa que constantemente lhe oferecerá atenção, colo, compreensão, ouvidos e muita tolerância. O generoso sente-se cansado e muitas vezes esgota sua capacidade em dar, sentindo que nada recebe em troca.

A carência patológica é uma espécie de dependência que, assim como a dependência química , enfraquece, escraviza e mantém a pessoa em situação de risco emocional constante.

A carência pode ter sua raiz na infância quando os pais, por motivos financeiros, precisam sair de casa para trabalhar e terceirizam o cuidado com os filhos. Ou mesmo pais muito severos que pouco elogiam e que estabelecem com os filhos uma relação pouco amorosa.

Há também pessoas que tem uma essência mais sensível e, não sabendo lidar com esta sensibilidade, tornam-se carentes.

De qualquer forma, é importante que cada pessoa identifique em si mesma este estado carente e busque superar esta fome intensa do outro. Quando cada pessoa ocupa-se de seu próprio “eu” , admirando as qualidades que possui, aprendendo a ficar bem consigo mesmo, desenvolvendo um querer-se bem, o outro passa a ser um bom complemento, a “cereja do bolo”, mas nunca a peça essencial para a sua felicidade. A felicidade deve depender de cada um, da capacidade de ser inteiro e de não depender.

Psicóloga Silvia Barros

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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