29
agosto

Brasil com geito ou um país sem jeito?

O Brasil vai mal das pernas. Não só das pernas, mas dos braços, dos ombros, das costas, do fígado, do coração, e, principalmente, da cabeça. O Brasil está enfermo. Doente. Às portas de um COMA profundo. Extremamente debilitado, sofre de todos os males conhecidos.

Se vocês saírem por ai com a intenção de se encontrarem com ele, certamente o acharão aos pedaços e aflito, jogado às traças em uma cama de UTI da rede pública. Os parasitas de Brasília, os vermes peçonhentos que por lá proliferam, a céu aberto, como esgotos, sabem disso, mas não fazem nada para tirá-lo da agonia. Ou pelo menos para lhe proporcionar uma morte mais decente e digna. A impressão que chega aos nossos olhos é a de que a galera do Senado e da Câmara quer que a Nação exploda o mais rápido possível, que a boa terrinha vá, de vez, para um buraco sem volta e se perca nos quintos; não do inferno, que é aqui mesmo, mas da puta que o pariu.

É bom que se explique e se esclareça as enfermidades que o Brasil enfrenta, não apareceram do nada. Não caíram do céu, nem deram em árvores. Não surgiram, igualmente, do agora, vítimas do acaso. As desgraças do nosso país, as mazelas, remontam de longa data, quando ainda o bigode do Olívio Dutra era só um pelinho na cara porca. Só para se ter uma ideia, uma gama de brasileiros, gente de visão, sabe e tem consciência que, para este país não existe cura, nem remédio ou doutor que de jeito ou melhore seu quadro clinico deplorável.

Um quadro, por sinal, estarrecedor, lastimável e caótico. O Brasil não tem ida nem volta, nem pode pegar atalhos. Está de pés e mãos atadas, com uma pedra maior que o rombo da previdência atada em derredor do pescoço, mergulhado num lago negro de águas imundas, de onde não consegue nadar para uma margem segura. Em contrapartida, nós brasileiros, vivemos um calvário pior que o de Jesus Cristo no Gólgota. A tênue luz que ainda conseguíamos vislumbrar no parco horizonte, se perdeu, se esvaiu, há muito, entre as brumas da corrupção e da máfia organizada.  Voamos, às cegas, em uma rota de colisão com o nada. E o nada, meus prezados, é a mesma coisa que o caos, a balburdia anunciada, o desastre iminente, que se alastra de norte a sul, de leste a oeste, numa desordem sem tamanho, onde o desenfreio da impunidade cresceu assustadoramente e se esparramou como erva daninha.

Fácil concluir, portanto, que, para a destruição total que todos esperam, não falta muito. Basta que tenhamos um tiquinho de senso de ridículo, para encararmos a verdade. Devemos lembrar, todavia, apenas alguns passos nos separam do tal lago negro, onde o país mergulhou num abismo sem volta, e, nesse mergulho, levou, com ele, arrastou, de roldão, a sociedade e o povo massacrado e literalmente pisoteado. Traduzindo, nós, meus amigos, nós todos, sem distinção de raça, credo, sexo, partido político, somos essa sociedade, ou o que restou dela: um exército de hipócritas, um punhado de fantasmas que se deixou enganar e se corrompeu pela lavagem cerebral que os malditos fizeram em nós.

Roberto Campos dizia que “No Brasil, a burrice tem um passado brilhante e um futuro promissor”, corroborado por Mário Covas que taxativo afirmava que “No Brasil, quem tem ética, parece anormal”. E respondam: eles estavam errados?

Devemos concordar com Augusto T. A Antunes. Ele acha que “Não é de um choque capitalista que o país precisa, mas um choque de responsabilidade”. E quem daria esse choque? Certamente a policia de choque!

Outro que comunga em igual pensar é Ubiratan Lorio. Para ele, “A solução para o Brasil é uma só. Trabalhar mais e gastar menos”. E nós, os brasileiros, os hipócritas, os bonecos de marionetes, os fantasmas depauperados fazemos isso? Não! Apenas balançamos a cabeça, como vaquinhas de presépio e concordamos: sim senhor, não senhor, sim senhor, não senhor…

Alguém foi mais fundo e mandou bala: “O mal do Brasil é ter um Executivo lastimável, um legislativo execrável e um judiciário pior que esses dois juntos”. No mesmo pensar, Graça Aranha profetizou nos idos de 1868: “No Brasil, o eleitorado é artificial e as eleições são simulacros… O que há é um grupo de indivíduos, que se apoderou da administração pública e a explora para os seus interesses”. Um cidadão conhecido como Eugenio Mahallen cansou de abrir a boca para gritar que “O Brasil é um país onde nem as fábulas têm moral”.  E me apontem senhores, o que mudou de 1868 até hoje?

“A burocracia estatal – levantava Francisco Dorneles a seguinte bandeira – ainda carece da noção de que o Estado existe para prestar serviços aos cidadãos, e não para interpor-lhes obstáculos e prejuízos em suas atividades produtivas”. Deveríamos nos ater com o pensamento vivo de J. Honório Rodrigues: “No Brasil, a longa e incompleta passagem do Império para Republica é resultado de muita transação e pouca reforma”. Afinal, o Brasil é ou não para principiante? Tom Jobim autor dessa frase tinha uma teoria interessante a respeito disso… O que leva a concluir, que Jobim, além de músico era um homem inteligente, ao contrario de nós, que continuamos provando a nós mesmos que somos um bando de cavalos soltos no pasto acostumados aos confortos do velho cabresto.

Carlos Lacerda! Alguém, por acaso, lembra de Carlos Lacerda? Ele pisou nos calos de muita gente quando declarou, publicamente, que “Brasília era o mais dispendioso monumento erguido em homenagem à leviandade e à incompetência”. E por favor filhos de Deus, respondam: ele estava errado? Arthur da Távola, embora não tocasse nenhum instrumento de tecla, batia naquela de que “o brasileiro é uma mistura de acomodação com esperança”. Ele estava errado? Diferente de Afrânio Peixoto que também na sua época meteu a boca no trombone e alardeou que “o governo no Brasil era uma instituição destinada a criar postos e impostos; sendo os impostos para pagar os postos”. E pior, minha gente, o filho da puta estava certo.

Como certíssimo Barreto Pinto que arriou a calça, tirou o pinto pra fora, escancarou a boca cheia de dentes e berrou para uma platéia de imbecís de terninho de grife travestidos de parlamentares. “No Brasil se cria dificuldades para vender facilidades”. Respondam pelo amor aquilo que vocês mais prezam: ele estava errado? Senhores, quem se habilita? Barreto estava errado? Nessa confusão toda, um que tomou no cu, com força, como nós tomamos agora, o ilustre Joaquim José da Silva Xavier, conhecido entre seus pares pela alcunha de Tiradentes. Em 1789 ou há exatamente 220 anos atrás, ele já jurava, de pés juntos: “se todos quisermos, poderemos fazer do Brasil uma grande nação”. Como uma turminha de gatunos, vejam só, há 220 anos atrás,  viu que ele tinha razão, e até poderia conseguir seu intento, o que foi que fizeram? Cortaram a cabeça do babaca. E essa cena se repete até hoje, e se repetirá amanha e depois, por mais 220 anos, com o filho do filho do seu filho.

Se um deles tiver alguma idéia, por mais ingênua que seja, mas que, se posta em prática revolucione este país de merda, tirando-o do atoleiro e pugnando para dias melhores com futuro mais promissor, certamente uma máfia aparecerá para podar os intentos e faturar a cabeça do pobre infeliz. O Brasil tem jeito ou geito? Não é um país de todos? De todos, ou de tolos? Já que ninguém sabe a resposta, já que ninguém tem peito, nem aquilo roxo no meio das pernas, o melhor então, que temos a fazer é seguir, à risca, o conselho do grande estadista Pachá: “Fica em silencio. Concorda com o inevitável. Um abrir de boca seu, ou um gesto impensado, poderá botar seu corpo em maus lençóis forrado num catre imundo de cadeia”. Pachá se esqueceu de acrescentar, ao seu axioma, apesar da vasta visão ampla do mundo, uma palavrinha pequena, mas que daria um significado ainda maior ao seu filosófico pensamento: morto! Fica em silencio, fecha a matraca, ou noutro dia, meu nobre amiguinho, você pode acordar estirado numa vala imunda com a boca cheia de formigas.

Texto de Aparecido Raimundo de Souza

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE, POLÍTICA por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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comentários



Uma ideia sobre “Brasil com geito ou um país sem jeito?

  1. Perfeito,
    Esse texto me fez chorar tamanha a veracidade de um todo,
    resumido maravilhosamente.
    Sem palavras para elogiar.
    Rodrigo Oller receba carinhosamente meu abraço.

    Parabéns

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