25
março

Autoestima contingente

Ela se torna frágil quando focamos em nossos sucessos e fracassos; concentrar-se em promover benefícios coletivos forma bases mais sólidas de confiança

Costuma haver consenso tanto entre leigos quanto entre especialistas de que autoestima é imprescindível para uma vida emocionalmente saudável. O que se entende por “amor-próprio”, porém, causa divergências e ainda é pouco estudado pela ciência. Aliás, a busca excessiva pelo prazer pode deixar as pessoas insatisfeitas, com forte sensação de vazio.

Buscar situações somente para sentir-se com maior autoestima prejudica a motivação intrínseca, ou seja, o interesse pela tarefa em si. Os psicólogos Edward Deci e Richard Ryan, da Universidade de Rochester, argumentam que pessoas com autoestima contingente se concentram a maior parte do tempo na maneira como sucessos e fracassos refletem sobre sua imagem. Sua pesquisa, realizada ao longo de várias décadas, aponta que aqueles com essa característica realizam atividades, como estudar e trabalhar, porque sentem que devem e não porque querem. A pressão e o senso de obrigação terminam por suplantar a satisfação.

As relações pessoais também ficam prejudicadas. Pessoas focadas em aumentar a autoestima tendem a sempre colocar suas necessidades antes das dos outros. A preocupação com questões sobre o próprio valor influencia a relação com amigos, familiares e conhecidos, que acabam servindo, principalmente, como fontes de validação ou anulação de méritos – no final das contas, a interação gira em torno de uma única pessoa, o que empobrece e desgasta as relações.

No entanto, escorar a autoestima em valores como fé ou virtude parece ter menos consequências negativas do que em outras circunstâncias nas quais é possível ser avaliado e julgado (como aparência ou alguma habilidade específica). Ainda não sabemos exatamente os motivos dessa discrepância. A hipótese é que pessoas com necessidade de provar que são virtuosas ou fiéis a uma religião são mais propensas a se envolver em atividades úteis, colaborativas ou filantrópicas, recebendo então, a aprovação dos outros. Ainda assim, as contingências nos tornam vulneráveis às consequências de deixar a autoestima tão dependente de elementos externos para nos definir.

Embora a busca por autoestima possa trazer consequências negativas, também nos motiva à ação. Sem o desejo de provar nosso valor, poderíamos ficar desanimados. Felizmente, temos opções. Em vez de nos concentrarmos em nossa própria situação, podemos focar em outras pessoas ou no benefício coletivo. Metas construtivas e solidárias tendem a fortalecer o sentimento de confiança e a sensação de pertencimento, o que ajuda a reduzir conflitos e medos.

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Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE, MENTE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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