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maio

Ansiedade: você sabe o que é isso?

Muitas palavras são utilizadas para nomear experiências de ansiedade: medo, pavor, apreensão, pânico, desespero, angústia, “nervoso” e preocupação. Porém, medo e ansiedade são coisas diferentes.
O medo é um alarme primitivo em resposta a um perigo presente, que leva o indivíduo à ação (luta ou fuga). Já a ansiedade é uma emoção orientada para o futuro, caracterizada pela impressão de falta de controle e imprevisibilidade dos eventos.

Na ansiedade, o nível de medo não é determinado pela situação em si, mas pela interpretação que se faz dela e é algo muito mais grave do que estar sujeito às preocupações do cotidiano.
Os transtornos de ansiedade estão hoje entre as condições psiquiátricas ou psicológicas mais comuns. Mas a ansiedade é parte de nossa herança biológica. Nossos antepassados, em tempos bem remotos, tinham que se preocupar com perigos reais para garantir a sobrevivência da espécie. Porém, apesar de atualmente estarmos mais bem preparados em termos econômicos, sociais e de saúde para enfrentar as adversidades, a contemporaneidade nos impõe uma sensação de vulnerabilidade, insegurança e desamparo que nos imobiliza. Ela alterou nossas circunstâncias de vida de um modo tão rápido, que a biologia não acompanhou.

E por que você precisa saber isso? Para aceitar a ansiedade como parte da nossa história evolutiva, entendendo como ela se tornou prejudicial, e não se sentir culpado, com deficiências ou constrangido por sofrer. Assim, fica mais fácil procurar ajuda.
Veja aqui as respostas às principais perguntas relacionadas a esse transtorno:

Por que a ansiedade acontece?

Quando a ansiedade é um sinal de alerta frente a perigos reais, ela prepara o corpo para a luta ou fuga, fazendo com que o indivíduo tome medidas necessárias para evitar a ameaça ou reduzir suas consequências. Nesse contexto, a ansiedade é adaptativa.

Porém, quando nossas reações de medo e ansiedade ocorrem em uma situação não ameaçadora ou neutra, que é interpretada erroneamente como um perigo real ou potencial, elas são desadaptativas e, portanto, prejudicais. A mente parece funcionar 24 horas por dia, não parecendo possível desligar o processo de pensamento.

Ansiedade: você sabe o que é isso?
Entre os principais tipos de transtornos de ansiedade listados pelas classificações médicas estão:

* transtorno de ansiedade generalizada (eventos de vida estressantes ou outras preocupações pessoais, com medo de desfechos ameaçadores);
transtorno de ansiedade social (medo da avaliação negativa dos outros em situações sociais);

* transtorno do pânico (ansiedade com relação ao que acontece ao próprio corpo, ou seja, medo de suas próprias sensações corporais);

* fobia específica (medo de um determinado estímulo ou objeto sem nenhuma razão aparente, por exemplo, medo de injeção);

* transtorno obsessivo-compulsivo (pensamentos que surgem sem razão aparente e que são inaceitáveis – obsessões – dos quais tenta se livrar por meio das compulsões – rituais comportamentais ou mentais como lavar as mãos repetidamente, evitar sujeita ou repetir silenciosamente um pensamento, por exemplo uma reza ou falar consigo mesmo);

* transtorno de estresse pós-traumático (lembranças, sensações, pensamentos associados com experiências traumáticas passadas).

É importante diferenciar os quadros, pois cada um deles levará em conta essas especificidades no planejamento terapêutico. Vale ressaltar que indivíduos com transtorno de ansiedade têm muito mais probabilidade de ter pelo menos um ou mais transtornos de ansiedade adicionais.

Quais os principais sintomas?

Para cada transtorno de ansiedade existem sintomas específicos, porém alguns sintomas são gerais. Os sintomas podem ser:

físicos – aumento da frequência cardíaca, palpitações, sensação de sufocação, falta de ar, sudorese, calafrios, tremor, sensação de dormência nos braços e pernas, tensão muscular, rigidez, boca seca;

cognitivos – medo de perder o controle, medo de morrer, medo de ficar “louco”, pensamentos ou recordações aterrorizantes, medo da avaliação negativas pelos outros, dificuldades de atenção, concentração e memória;

comportamentais – evitação ou fuga de situações avaliadas como ameaçadoras, busca de segurança, dificuldade para falar;
afetivos – nervoso, tensão, sentir-se irritável, sentir-se irrequieto, impaciente, frustrado.

Como tratar?
Muitas pessoas não procuram tratamento especializado, pois, devido aos sintomas físicos da ansiedade, o tratamento é realizado durante os cuidados primários à saúde (clínico geral, cardiologista, ginecologista). No entanto, a ansiedade deve ser tratada por profissionais da área da saúde mental. Isso envolve, na maioria dos casos, o uso de medicação e psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, abordagem terapêutica que oferece evidências científicas de eficácia.

Outras técnicas podem ajudar muito no tratamento da ansiedade, como meditação, por exemplo, especialmente mindfulness (técnica de meditação que trabalha o foco da consciência no momento presente) e relaxamento muscular progressivo. Manter hábitos de vida saudáveis como a prática da atividade física, higiene do sono, alimentação adequada, lazer também são importantes na terapêutica dos quadros de ansiedade.

Via: Saúde da Mente

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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