13
março

A Maldita Carência

Como diziam os Titãs:
“Você tem fome de quê?”
Depois de um bom tempo tendo relacionamentos não satisfatórios, ou depois de um grande período de seca (sem relacionamento nenhum), a tal carência afetiva aparece. Surge a vontade de ser abraçado, beijado, amado e desejado por alguém. Até aqui, tudo certo.

Vamos entender a carência como fome de afeto.
A complicação começa quando a pessoa não tem outros objetivos fortes na vida, além do amoroso. Não tem outras preocupações consistentes. Então este aspecto passa a ser priorizado com intensidade. Por exemplo, se você tem um filho doente, consegue pensar em carência? Não. Se você tem um trabalho que exige de você toda a sua criatividade, e você o adora, sua carência seria muito grande? Provavelmente não.

Na ausência de outros objetivos que satisfaçam a pessoa, como estar realizado no trabalho, ou bem consigo mesmo, a carência continua existindo, mas com baixa intensidade. Ela não atrapalha. Quando a carência toma proporções maiores do que a desejada, as “fomes” aparecem.
“Você tem fome de quê?”

A fome de carinho e atenção pode surgir disfarçada de fome por comida. É muito comum confundir as “fomes”. Desde criança isso acontece. Muitas crianças são recompensadas com um doce, um chocolate, quando tiram uma nota boa na escola, ou quando se comportaram direito. Um aplauso, ou um abraço seria o mais adequado, não acha?

A carência, para alguns pode ser confundida com fome de poder. Esta pessoa tenta ter o máximo de amigos, de contatos possível. Parece que quanto mais for conhecido, quanto mais amigos tiver, menos vazio sentirá. O mesmo acontece com aquela pessoa que a cada noite tem um parceiro (a) diferente. São tentativas de aplacar a sua fome de afeto. É uma triste tentativa de reunir migalhas de carinho na esperança de aplacar uma grande fome.

A carência é uma péssima conselheira. Quando ela aparece, todo sapo horroroso é confundido com uma princesa linda ou um galã de cinema. Depende do tanto que a pessoa bebeu, ou às vezes nem foi preciso. “De tanto procurar e não encontrar nada, qualquer sapo serve”. Note o quanto esta pessoa perdeu os valores próprios. Afinal, qualquer coisa só serve para qualquer um. Você se vê como um qualquer?
A carência deve ser primeiro entendida. “Você tem fome de quê?” Fome de carinho, afeto, proteção, amor?

Se você está sozinho, procure dar a si mesmo uma dose a mais de atenção. Faça o que você realmente gosta e se sinta realizado, nem que seja nas horas vagas. Pessoas satisfeitas que conseguem executar seus dons têm um nível de carência mínimo.
Cultive amizades sadias. Bons amigos são aqueles que se preocupam com você e são bons colos e ouvidos quando precisamos.

Se você está acompanhado e mesmo assim se sente carente, cabe avaliar onde está ocorrendo a falha. Será que é no relacionamento ou em você mesmo? Lembre-se que nenhuma pessoa pode fazer você feliz fora você mesma. A sua realização pessoal é um conjunto formado de realizações em diversas áreas: amorosa, profissional, auto-estima, espiritual, saúde e social. Devemos tentar nos realizar pelo menos um pouquinho em cada uma delas. Não adianta exigir demais de uma área para tentar suprir outra.
Então, sua fome é de quê?

Via: Psicóloga Clínica

Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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