17
outubro

A influência dos pensamentos nos relacionamentos

Quando nos relacionamos com alguém seja socialmente ou afetivamente começamos a emitir pensamentos a respeito desta pessoa.
Se através de uma atitude dessa pessoa fizermos uma leitura de que ela é metida, ou que quer mostrar superioridade, ou que ela é mesquinha, ou mal humorada, ou se usarmos qualquer outro adjetivo negativo para qualificá-la com certeza criaremos uma aversão à qualquer possibilidade de aproximação com esta pessoa. Por outro lado, se concluirmos que este indivíduo parece simpático, humilde, amigável, provavelmente nos empenharemos em conhecê-lo melhor. Desta forma, os nossos pensamentos nos direcionam positivamente ou negativamente nos relacionamentos.
Não é incomum experienciarmos uma rejeição inicial por alguém que posteriormente nos cativará. Isto ocorre porque concluímos algo negativo a primeira vista que se desconfirmou num segundo momento. O contrário também não é raro, pois quantas vezes investimos em pessoas que se mostram o oposto do que pensávamos? Neste segundo exemplo, na maioria das vezes ficamos nos martirizando por termos confiado em alguém que não merecia. Mas será que era a pessoa realmente que não merecia ou nós que tivemos uma visão distorcida a respeito dela?
A realidade é que cometemos erros cognitivos todo o tempo e não nos damos conta disso. Colocamos expectativas irrealistas em pessoas reais. Então, na maioria das vezes, não são as pessoas que nos frustram, mas sim os nossos pensamentos. Toda pessoa apaixonada, por exemplo, assim está por exacerbar as qualidades do parceiro, ao passo que uma pessoa desiludida, só lembra dos defeitos. Muitos casamentos se desfazem por um dos parceiros ter com uma expectativa que o outro não pode cumprir. O relacionamento entra num círculo vicioso e um cobra que o outro faça aquilo que ele entende que deveria ser uma comprovação de amor. Não existe uma fórmula para o amor, nem uma forma única de amar, pois as pessoas são diferentes e entendem o amor de maneiras diferentes.
Mas, existe uma forma individual de amar e demonstrar amor, que é a forma de cada um.
O entendimento de que os nossos sentimentos são imutáveis não procede, pois se os sentimentos são conseqüência dos pensamentos e os nossos pensamentos são decididos por nós mesmos, então podemos mudar a forma como sentimos mudando a forma como pensamos. Enveredando por este caminho, podemos então, concluir que o amor é uma decisão que contraria um conceito bastante difundido, de que o amor é um sentimento incontrolável que se estabelece ao acaso e vai embora sem a nossa permissão. Quantas vezes já ouvimos a seguinte afirmação:“o amor acabou”? Como se o amor fosse uma coisa externa que começa e se encerra sem o nosso consentimento. Penso que se o amor terminou, isso é se algum dia ele já tiver existido, foi porque insistentemente buscamos provas que confirmassem os nossos pensamentos negativos a respeito do outro, o que resultou numa total desmotivação para persistir amando.
Amar é diferente de apaixonar-se embora muitas pessoas confundam isso. Portanto, o que acaba com mais freqüência é a paixão ( estado de encantamento), quando nos deparamos com aquilo que consideramos defeito no outro. Digo consideramos porque o que para nós é um defeito pode não sê-lo para outra pessoa. Neste momento, cabe aos dois decidir se conseguirão aceitar ou não essas falhas, continuando a valorizar mais os pontos positivos que o outro oferece. Se isso acontecer o sentimento que passa a existir é o amor. É neste momento que muitos relacionamento terminam sem mesmo terem experienciado o amor. Acredita-se que não vale a pena o investimento e pronto! Aí não tem mais jeito.
Os casais que conseguem transpor essa barreira valorizando mais os pontos positivos abrem as portas para o amor. Eles sabem que o outro não é perfeito e o aceitam como tal. Existem também aqueles que continuam juntos movidos ainda pela idealização inicial e quando se deparam com os defeitos entendem que conseguirão mudar o outro de forma a torná-lo aquilo que desejam. Essas pessoas se relacionam com uma idéia e não com a realidade e querem que o parceiro cumpra as suas expectativas irrealista, que muitas vezes ele não tem como cumprir. Os pensamentos, aqui, costumam ser pensamentos distorcidos como por exemplo: “Depois que nos casarmos ele vai dar mais atenção à mim do que aos filhos do primeiro casamento”. Fico me questionando se o que essas pessoas sentem é amor. É fato, que elas têm uma sede de amar que aparece sob uma forma de controle que acaba por distanciar a pessoa da sua meta, ao invés de aproximá-la. Elas querem amar controlando o outro e recebendo dele aquilo que “elas” entendem amor, e como isso não é possível vivem em constante frustração.
Há outros que buscam incansavelmente alguém que possa suprir todas as suas necessidades. Esses, portanto vivenciam relações rápidas e confundem paixão com amor. Elas só querem viver a fase de encantamento e não se conformam com a humanidade do outro. Estes são mais imediatistas e pulam de galho em galho buscando um ideal impossível.
Sentimos aquilo que os nossos pensamentos alimentam. Se alimentarmos idéias de fracasso e constantemente buscando evidências que as reforcem provavelmente nos sentiremos deprimidos. Se ficarmos questionando as nossas atitudes, querendo adivinhar o futuro superestimando os riscos e subestimando recursos e a nossa capacidade de enfrentamento provavelmente nos sentiremos ansiosos. O caminho da assertividade está em aprendermos a detectar esses pensamentos nocivos e desafiá-los de forma a encontrarmos pensamentos positivos mais funcionais e na maioria das vezes mais realistas para a nossa condição. Transformando a nossa forma de pensar mudamos consequentemente a nossa forma de sentir e de agir, respectivamente. Isso nos tornaria mais tolerantes, mais amigos e mais flexíveis. E é na flexibilidade que está a solução os nossos conflitos e o futuro dos relacionamentos.
Publicado em ARTIGOS, AUTOCONTROLE por Rodrigo Oller. Marque Link Permanente.


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